O Que Colocar no Currículo: Guia Completo 2026
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O Que Colocar no Currículo: Guia Seção por Seção para 2026

Saber exatamente o que incluir — e o que deixar de fora — em cada seção do currículo é o que separa candidatos ignorados de candidatos chamados para entrevista. Este guia cobre tudo, seção por seção.

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Equipe prepara.cv
· 11 min de leitura · Atualizado em

O Que Colocar no Currículo: Guia Seção por Seção para 2026

Você abre um documento em branco, digita seu nome e trava. O que vai depois? Quanto detalhe é necessário? O que os recrutadores realmente querem ver — e o que faz o currículo ser descartado em segundos? Essas perguntas travam candidatos de todos os níveis de experiência, de quem está entrando no mercado a quem está migrando de área depois de anos de carreira.

A verdade é que o currículo de 2026 não é mais um documento de memória profissional. É uma peça de comunicação estratégica que precisa passar pela triagem automatizada dos sistemas ATS, capturar a atenção do recrutador em menos de 10 segundos e convencê-lo de que vale a pena ler até o final. Cada seção cumpre uma função — e o que você coloca (e o que você omite) importa tanto quanto a experiência que você tem.

Este guia percorre cada seção do currículo, explica o que incluir, o que evitar e como estruturar as informações para que funcionem tanto para humanos quanto para sistemas automatizados.

Principais conclusões

  • Dados pessoais modernos não incluem CPF, RG, estado civil ou foto na maioria dos casos.
  • O perfil profissional deve ter 3 a 5 linhas direcionadas para a vaga específica, não para "qualquer oportunidade".
  • Experiências profissionais devem usar verbos de ação e resultados mensuráveis sempre que possível.
  • Habilidades técnicas e comportamentais devem ser listadas separadamente e validadas pela experiência descrita.
  • O que você deixa de fora do currículo é tão importante quanto o que você coloca.

Dados Pessoais: o essencial e o que não entra mais

A seção de dados pessoais é a primeira coisa que o recrutador vê. Ela precisa ser limpa, completa e moderna. Muitas informações que eram padrão há dez anos hoje são desnecessárias, desaconselhadas ou até prejudiciais.

O que incluir:

  • Nome completo — em destaque, geralmente na parte superior, em fonte maior
  • Telefone — de preferência celular com WhatsApp ativo; inclua o DDD
  • E-mail profissional — evite endereços como "gatinho_da_noite@" ou apelidos informais; o ideal é uma variação do seu nome
  • Cidade e estado — não é mais necessário o endereço completo com rua e número; basta cidade e UF
  • LinkedIn — URL personalizada do perfil (linkedin.com/in/seunome); obrigatório para a maioria das áreas
  • Portfólio ou GitHub — quando relevante para a área (design, tecnologia, comunicação)

O que NÃO incluir mais:

  • CPF e RG — informações sensíveis desnecessárias no currículo; nenhum sistema de seleção legítimo precisa delas nesta etapa
  • Estado civil — não é dado relevante para a contratação e pode gerar viés inconsciente
  • Foto — na grande maioria das empresas brasileiras, a foto não é exigida e pode expor o candidato a discriminação; inclua apenas quando solicitado explicitamente ou em áreas onde é praxe (atendimento ao público, por exemplo)
  • Data de nascimento ou idade — embora a Lei 9.029 proíba discriminação por idade, incluir esse dado cria um risco desnecessário
  • Endereço completo — rua, número e CEP são desnecessários; cidade e estado são suficientes para o recrutador avaliar deslocamento
  • Número de documentos como PIS/PASEP — reservados para a contratação, não para a seleção

Do ponto de vista do ATS, os dados pessoais são geralmente extraídos automaticamente. Use formatação simples — sem tabelas ou caixas de texto — para garantir que o sistema leia as informações corretamente.

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Perfil Profissional (ou Objetivo): como escrever sem ser genérico

O perfil profissional — também chamado de resumo profissional ou objetivo — é o parágrafo de abertura que aparece logo após os dados pessoais. É sua chance de comunicar quem você é e por que é a pessoa certa para aquela vaga específica.

O que incluir:

  • Sua área de atuação e especialidade principal
  • Anos de experiência (quando for relevante)
  • Dois ou três pontos de valor concretos para o cargo
  • Um direcionamento claro para o tipo de posição ou área

Exemplo fraco: "Profissional dinâmico e proativo em busca de novas oportunidades para crescimento profissional."

Exemplo forte: "Analista de marketing digital com 6 anos de experiência em performance e mídia paga. Especialista em campanhas de Google Ads e Meta com histórico comprovado de redução de CAC em empresas B2C de médio porte. Busca posição de liderança em equipes de growth."

O perfil deve ter entre 3 e 5 linhas. Evite adjetivos vazios como "proativo", "dinâmico" e "comunicativo" sem substância que os sustente. Foque no que você entrega, não em quem você acha que é.

Para candidatos sem experiência, o perfil pode destacar formação, projetos acadêmicos e competências desenvolvidas durante o curso.

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Experiência Profissional: o coração do currículo

A seção de experiência é onde o recrutador passa mais tempo. Estruture-a em ordem cronológica inversa — da mais recente para a mais antiga.

Para cada cargo, inclua:

  1. Nome da empresa e, se necessário, breve descrição do segmento entre parênteses
  2. Cargo — exato como constava no contrato ou cargo principal exercido
  3. Período — mês e ano de início e saída (ex.: jan/2022 – ago/2024); para o emprego atual, use "presente"
  4. Descrição das atividades e resultados — em bullets curtos, com verbos de ação no passado (para empregos anteriores) ou no presente (para o atual)

Como descrever as atividades:

Evite descrever apenas tarefas. O recrutador quer saber o impacto do seu trabalho. Use a estrutura: verbo de ação + contexto + resultado sempre que possível.

  • Fraco: "Responsável pelo atendimento ao cliente."
  • Forte: "Gerenciei carteira de 120 clientes B2B, reduzindo churn em 18% em 12 meses por meio de follow-ups sistemáticos e planos de sucesso individualizados."

Quanto tempo de carreira incluir:

  • Para quem tem menos de 10 anos de carreira: inclua todas as experiências relevantes
  • Para quem tem mais de 10 anos: foque nos últimos 10 a 15 anos; experiências muito antigas podem ser resumidas ou omitidas
  • Experiências de menos de 3 meses: inclua apenas se forem estágios, projetos ou freelances claramente justificáveis

Estágios e trabalhos voluntários entram aqui se forem relevantes para a vaga. Para quem está no início de carreira, um estágio bem descrito vale mais do que metade da seção vazia.

Segundo dados da Jobscan, recrutadores passam em média menos de 10 segundos na primeira leitura de um currículo. Bullets concisos e resultados visíveis aumentam significativamente as chances de passar para a próxima etapa.

Formação Acadêmica: o que conta e como listar

A formação aparece logo após a experiência profissional — exceto para candidatos sem experiência ou recém-formados, que podem colocá-la antes.

O que incluir:

  • Graduação — nome do curso, instituição e ano de conclusão (ou previsão)
  • Pós-graduação, MBA, mestrado, doutorado — sempre inclua; são diferenciais importantes
  • Cursos técnicos relevantes para a área

Como listar cursos em andamento:

Use a expressão "em andamento" ou "conclusão prevista em [ano]". Não invente datas de conclusão.

Exemplo: "Bacharelado em Ciência da Computação — Universidade Estadual de Campinas (conclusão prevista: dez/2026)"

O que geralmente não precisa entrar:

  • Ensino médio — quando você tem graduação, o ensino médio é desnecessário
  • Cursos de curta duração (menos de 40h) — vão melhor na seção de certificações
  • Instituições de reforço ou cursinhos pré-vestibular

Habilidades: técnicas e comportamentais com equilíbrio

A seção de habilidades é lida tanto por humanos quanto por ATS. Palavras-chave de competências técnicas são fortemente usadas nos filtros automáticos.

Divida em duas categorias:

Habilidades técnicas (hard skills): Liste ferramentas, softwares, linguagens de programação, metodologias e competências específicas da área. Seja preciso: "Pacote Office" é vago; "Excel avançado (tabelas dinâmicas, Power Query, VBA básico)" comunica muito mais.

Exemplos por área:

  • Marketing: Google Analytics 4, Meta Ads, SEO on-page, CRM HubSpot
  • Tecnologia: Python, React, AWS, Docker, metodologias ágeis (Scrum/Kanban)
  • Finanças: Controladoria, Excel avançado, SAP, Power BI, IFRS

Habilidades comportamentais (soft skills): Inclua no máximo 4 a 6, e apenas as que você consegue sustentar com exemplos reais na seção de experiência. "Liderança" é relevante se você gerenciou pessoas; "comunicação" faz sentido se você apresentou projetos ou atendeu clientes.

Quantas habilidades incluir:

Entre 8 e 15 itens no total é um intervalo saudável. Menos do que isso pode parecer insuficiente; mais do que isso começa a parecer lista de palavras-chave sem critério.

Idiomas: sempre com nível explícito

Nunca liste um idioma sem especificar o nível. "Inglês" sem mais informações não comunica nada — e pode gerar uma situação constrangedora na entrevista.

Níveis padronizados:

  • Básico — leitura simples, vocabulário elementar
  • Intermediário — leitura e escrita com desenvoltura, conversação limitada
  • Avançado — comunicação fluente em contextos profissionais, com possíveis imprecisões
  • Fluente — comunicação eficaz em qualquer contexto profissional, com domínio das nuances
  • Nativo — língua materna

Para idiomas em que você tem certificação (TOEFL, IELTS, DELE, DALF), inclua a sigla e a pontuação ou nível. Isso adiciona credibilidade imediata.

Exemplo: "Inglês — Avançado (TOEFL iBT: 98)"

Certificações: o que vale incluir

Certificações demonstram iniciativa e atualização constante. No entanto, nem toda certificação merece espaço no currículo.

Vale incluir:

  • Certificações reconhecidas na área (AWS Certified, Google Analytics, PMP, CFA, CPA-20, OAB)
  • Cursos de plataformas renomadas com carga horária significativa (Coursera, edX, LinkedIn Learning — acima de 20h)
  • Treinamentos corporativos relevantes para a vaga

Geralmente não vale incluir:

  • Certificados de participação em eventos de curta duração
  • Cursos de menos de 4 horas em áreas não relacionadas
  • Certificações desatualizadas (verifique se ainda são válidas ou reconhecidas)

Formato recomendado: Nome da certificação — Instituição emissora — Ano de conclusão (e validade, quando aplicável)

Informações Adicionais: o que é útil e o que é opcional

Esta seção é um espaço para informações que não se encaixam nas categorias anteriores, mas que podem agregar valor ao perfil.

O que pode entrar:

  • Trabalho voluntário — especialmente quando demonstra habilidades de liderança, gestão ou área técnica
  • Publicações — artigos, livros, capítulos; relevante para acadêmicos ou especialistas
  • Projetos pessoais — aplicativos, pesquisas, iniciativas empreendedoras com resultado mensurável
  • Participação em associações profissionais — conselhos, sindicatos, entidades de classe
  • Prêmios e reconhecimentos — desde que recentes e relevantes para a área

O que NÃO deve entrar em nenhuma seção:

  • Pretensão salarial — nunca inclua no currículo; isso é negociado em outra etapa
  • "Disponibilidade imediata" como filler — se não for exigido, não acrescenta nada e pode sugerir urgência desproporcional
  • Referências — a frase "Referências disponíveis a pedido" é obsoleta; os recrutadores solicitam quando precisam
  • Hobbies e interesses pessoais — salvo em casos específicos (ex.: voluntariado em área relacionada à vaga)
  • Foto de documentos, assinatura ou dados bancários — jamais

A perspectiva do ATS em cada seção

Sistemas de rastreamento de candidatos (ATS) leem o currículo antes do recrutador humano. Segundo a Jobscan, mais de 98% das grandes empresas e 66% das médias empresas usam algum tipo de ATS no processo seletivo.

Para garantir que o seu currículo seja lido corretamente:

  • Use formatação simples: fontes padrão (Arial, Calibri, Georgia), sem colunas múltiplas, sem tabelas, sem caixas de texto
  • Não use cabeçalhos e rodapés para informações importantes — alguns ATS não leem essas áreas
  • Use os termos exatos da descrição da vaga para habilidades e cargos
  • Salve o arquivo em PDF ou DOCX conforme solicitado — quando não especificado, PDF é a escolha mais segura
  • Evite imagens, ícones decorativos e gráficos — ATS não interpretam elementos visuais

Ferramentas como o prepara.cv analisam o currículo com base na descrição da vaga e apontam quais palavras-chave estão faltando, ajudando você a calibrar cada seção antes de enviar a candidatura.

Comprimento ideal do currículo

Uma dúvida recorrente: quantas páginas?

  • 1 página: candidatos com menos de 3 anos de experiência ou em início de carreira
  • 2 páginas: a maioria dos profissionais com experiência consolidada
  • 3 páginas ou mais: apenas para posições executivas sênior, acadêmicos ou profissionais com histórico extenso e relevante

Quando em dúvida, menos é mais. Um currículo de 1 página bem escrito supera um de 3 páginas cheio de informações irrelevantes.

Como montar o currículo de acordo com a vaga

Não existe um currículo único que funciona para todas as vagas. O ideal é ter uma versão-base e adaptá-la para cada candidatura, priorizando:

  1. As palavras-chave da descrição da vaga
  2. As habilidades mais valorizadas para aquele cargo específico
  3. Os resultados da sua trajetória que mais se conectam com os desafios daquela posição

Essa personalização não precisa ser radical — muitas vezes, ajustar o perfil profissional e reordenar algumas habilidades já faz diferença significativa na taxa de retorno.

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Perguntas frequentes sobre o que colocar no currículo

Devo incluir foto no currículo brasileiro?

Na maioria das situações, não. A foto pode gerar viés inconsciente no processo seletivo e não é exigida pela legislação trabalhista brasileira. Inclua apenas se a vaga solicitar explicitamente ou se for praxe comprovada do setor (alguns segmentos de atendimento ao público, por exemplo). Quando incluir, use uma foto profissional, com fundo neutro e boa iluminação.

O que fazer quando não tenho experiência profissional formal?

Priorize estágios, trabalhos voluntários, projetos acadêmicos, iniciativas pessoais e cursos relevantes. Descreva cada um com o mesmo rigor que aplicaria a uma experiência formal: contexto, atividades e, se possível, resultados. A ausência de carteira assinada não significa ausência de experiência — significa que você precisa comunicar o que aprendeu de outras formas.

Preciso listar todas as minhas experiências profissionais?

Não. Experiências antigas (mais de 15 anos), de curtíssima duração e sem relevância para a vaga podem ser omitidas. O currículo não é um documento jurídico nem uma confissão completa da sua história — é uma peça de seleção. Inclua o que fortalece a sua candidatura para aquela vaga específica.

Quanto detalhe colocar em cada experiência?

Em geral, entre 3 e 6 bullets por cargo é suficiente. Para cargos mais recentes e relevantes, você pode ir até 8 bullets se todos trouxerem informações distintas e valiosas. Para empregos antigos ou menos relevantes para a vaga, 2 a 3 bullets bastam.

É obrigatório incluir o LinkedIn no currículo?

Não é tecnicamente obrigatório, mas é fortemente recomendado para a maioria das áreas. O LinkedIn oferece ao recrutador um contexto mais amplo da sua trajetória, recomendações e conexões. Certifique-se de que o perfil está atualizado e consistente com o currículo antes de incluir o link. Use a URL personalizada (linkedin.com/in/seunome) para facilitar a leitura.

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