Informações Adicionais no Currículo: O Que Incluir
Currículo

Informações Adicionais no Currículo: O Que Incluir (e o Que Evitar)

A seção de informações adicionais pode tornar seu currículo memorável ou desperdiçar espaço precioso. Saiba exatamente o que pertence aqui — e o que deve ficar de fora.

prepara.cv
Equipe prepara.cv
· 10 min de leitura · Atualizado em

A seção de informações adicionais é a parte do currículo que mais divide opiniões — e a que mais gera erros. Candidatos experientes a deixam em branco achando que é espaço desnecessário. Candidatos em começo de carreira a preenchem com hobbies que não acrescentam nada. Poucos entendem o que essa seção realmente faz e para que ela existe.

No modelo tradicional de currículo brasileiro, essa seção aparece quase sempre no final, com o rótulo "Informações Adicionais", "Outras Informações" ou "Dados Complementares". Ela existe para acomodar conteúdo relevante que não cabe nas seções estruturadas anteriores: experiência, formação, habilidades. O problema é que, sem critério, ela vira uma mistura de coisas que não têm lugar em nenhum lugar.

Este guia define de uma vez por todas o que pertence à seção de informações adicionais, o que deve ser cortado sem hesitação e como usar esse espaço de forma estratégica — inclusive para melhorar sua pontuação nos sistemas ATS que fazem a triagem automática de currículos.

Principais conclusões

  • Informações adicionais devem incluir itens relevantes sem seção própria: voluntariado, premiações, publicações, associações, CNH e idiomas (quando não há seção dedicada)
  • Hobbies genéricos (música, viagens, leitura) não acrescentam nada e devem ser eliminados
  • Esta seção pode conter palavras-chave valiosas para o ATS — certificações e cargos voluntários aumentam a aderência ao perfil da vaga
  • Afiliações políticas, religiosas e informações de família nunca devem aparecer num currículo profissional
  • A seção faz sentido quando o conteúdo te diferencia ou preenche um vazio legítimo — não para aumentar o volume do documento

O que são informações adicionais no currículo

Informações adicionais é uma seção catch-all — uma área de complemento para conteúdo profissionalmente relevante que não se encaixa nas seções principais. Não tem uma definição rígida universal, mas no contexto do currículo brasileiro ela geralmente abriga:

  • Trabalho voluntário e atuação em ONGs sem remuneração formal
  • Premiações e reconhecimentos profissionais (prêmios de setor, menções em mídia, reconhecimentos internos relevantes)
  • Publicações, artigos e apresentações em eventos ou periódicos
  • Associações profissionais (conselhos, entidades de classe, grupos de trabalho)
  • Projetos extracurriculares com resultado mensurável
  • CNH e categoria quando relevante para o cargo
  • Idiomas quando não há seção específica de idiomas no modelo adotado
  • Disponibilidade para viagens ou transferência quando explicitamente relevante para o cargo

Nenhum desses itens precisa de uma seção inteira. Mas cada um pode ser o detalhe que diferencia dois candidatos tecnicamente equivalentes.

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Por que essa seção existe — e quando ela ajuda

A lógica por trás da seção é simples: um currículo estruturado tem espaços definidos para formação, experiência e habilidades. Mas a trajetória de uma pessoa raramente cabe limpa nessas caixas. Voluntariado em ONG de educação conta como experiência? Publicação num blog técnico entra em formação? Mentorar jovens profissionais aparece onde?

Quando não existe uma categoria óbvia, o item vai para informações adicionais — ou desaparece do currículo, o que é um desperdício quando o item é relevante.

A seção ajuda em dois cenários principais:

Cenário 1 — Você tem espaço em branco no currículo. Candidatos com pouca experiência formal frequentemente têm um currículo curto demais. Informações adicionais pode preencher esse espaço com conteúdo legítimo: projetos acadêmicos com resultado, voluntariado, participação em ligas ou grupos de estudo. Isso não é encher linguiça — é mostrar que você é um profissional ativo além do trabalho formal.

Cenário 2 — Você tem itens que te diferenciam mas não cabem em nenhum lugar. Um gerente financeiro que faz mentoria voluntária para jovens de periferia no ENAP, por exemplo, tem um diferenciador relevante — especialmente para vagas em empresas com programas de diversidade e impacto social. Isso vai em informações adicionais.

Segundo dados da Gupy, o perfil completo e bem estruturado do candidato tem impacto na pontuação automática das plataformas. Seções deixadas em branco reduzem a completude do perfil.

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O que colocar — exemplos bons vs. ruins

Voluntariado

Bom: "Voluntário no Instituto Ayrton Senna (2021–2023) — tutor de matemática para alunos do ensino médio em situação de vulnerabilidade social, atendendo em média 12 alunos por semana"

Ruim: "Gosto de ajudar pessoas e faço alguns trabalhos voluntários às vezes"

A diferença: especificidade. Organização, período, função, escala. O recrutador precisa entender o que você fez — não apenas que você tem boa vontade.

Premiações

Bom: "Vencedor do Prêmio Aberje de Comunicação Corporativa 2023 — categoria Relações com Comunidade"

Bom: "Reconhecido como Top Performer Trimestral por três vezes consecutivas na [empresa] (2022–2023)"

Ruim: "Várias premiações ao longo da carreira" (sem detalhe, não diz nada)

Publicações e apresentações

Bom: "Coautor do artigo 'Modelos Preditivos Aplicados ao Varejo Alimentar', publicado na Revista de Administração da USP (2023)"

Bom: "Palestrante no DevSummit São Paulo 2023 — tema: arquitetura de microsserviços em ambiente cloud-native"

Publicações e apresentações em eventos relevantes do setor são fortes diferenciadoras, especialmente para cargos técnicos e de liderança.

Associações profissionais

Bom: "Membro do Conselho Jovem da ABRAREC (Associação Brasileira das Relações Empresa-Cliente)"

Ruim: "Gosto de fazer parte de grupos e associações" (sem nome, sem função, sem valor)

Projetos extracurriculares

Bom: "Cofundador do podcast 'Dados na Prática' — 12.000 seguidores, 80 episódios publicados sobre ciência de dados aplicada ao mercado brasileiro"

Bom: "Mantenedor de repositório open source com 2.300 stars no GitHub — biblioteca Python para análise de dados do IBGE"

Projetos com audiência, resultado ou reconhecimento externo são ativos profissionais reais. Não os esconda.

CNH

Bom: "CNH categoria B, própria" — quando a vaga exige ou há deslocamento frequente.

Omita quando não há nenhuma relevância para o cargo (analista de dados em São Paulo, por exemplo, não precisa).

O que não colocar — e por quê

Essa é a parte em que a maioria dos currículos erra. A lista abaixo contém itens que aparecem com frequência e que, na maioria dos casos, devem ser eliminados.

Hobbies genéricos: "gosto de ouvir música", "amo viajar", "leio muito", "curto cozinhar". Esses itens não diferenciam ninguém — todos gostam dessas coisas. O único caso em que um hobby pertence ao currículo é quando tem conexão direta com a vaga (um fotógrafo que aplica para vaga de marketing visual, por exemplo).

Afiliações políticas e religiosas: Brasil tem proteção razoável contra discriminação, mas colocar partido político ou denominação religiosa no currículo cria vieses desnecessários — em qualquer direção. Isso não pertence a um documento profissional.

Informações de família: estado civil, número de filhos, nome do cônjuge. Nenhuma dessas informações tem relevância profissional e podem gerar discriminação ilegal. Não pertencem ao currículo.

Foto no currículo: o modelo brasileiro ainda inclui foto com frequência, mas a tendência em empresas com processos seletivos mais estruturados é remover a foto para reduzir vieses inconscientes. Se o campo de vagas não exige especificamente, omita.

Expectativa salarial: não pertence ao currículo. Essa informação vai para a entrevista ou formulário específico.

"Disponível para entrevista imediatamente": isso está implícito no fato de você ter enviado o currículo. Ocupa espaço sem acrescentar nada.

Referências: "Referências disponíveis mediante solicitação" é uma frase antiquada que não precisa mais estar nos currículos. Recrutadores que querem referências vão pedir — você não precisa anunciar que vai fornecê-las.

O impacto no ATS — a dimensão que muita gente ignora

Segundo dados da Jobscan, mais de 98% das empresas de grande porte e 66% das empresas de médio porte usam algum tipo de sistema ATS para triagem inicial de currículos. Esses sistemas leem o documento inteiro — incluindo a seção de informações adicionais — em busca de palavras-chave.

Isso transforma a seção de informações adicionais num espaço estratégico para incluir termos relevantes que não aparecem naturalmente nas seções de experiência e habilidades.

Exemplos de como isso funciona na prática:

Voluntariado com cargo técnico: "Analista de dados voluntário no Movimento Voto Consciente — construção de dashboards Power BI para análise de candidatos eleitorais" coloca "Power BI" e "análise de dados" no currículo de forma legítima, aumentando a aderência em vagas que pedem essas ferramentas.

Associações profissionais: ser membro do CRA (Conselho Regional de Administração), CRC (Contabilidade), CREA (Engenharia) ou OAB (Direito) são palavras que sistemas ATS de vagas nesses setores frequentemente buscam.

Certificações em andamento: se você está cursando uma certificação relevante mas ainda não concluiu, pode mencionar aqui: "AWS Certified Solutions Architect — em andamento, previsão de conclusão em julho/2026". Isso inclui "AWS" e "Solutions Architect" no documento sem misrepresentar sua qualificação.

Cursos complementares relevantes: cursos livres que complementam sua formação principal e são mencionados na descrição da vaga devem estar listados aqui quando não há seção específica de cursos.

O ponto central é este: a seção de informações adicionais é lida pelo ATS com o mesmo peso que as demais seções. Deixá-la em branco ou preenchê-la com hobbies irrelevantes é desperdiçar um espaço que poderia conter palavras-chave com peso real na triagem.

Quando a seção faz mal ao seu currículo

Existem casos em que a seção de informações adicionais piora o currículo. O sinal mais claro é quando o conteúdo é claramente padding — preenchimento sem substância que torna o documento mais longo sem torná-lo melhor.

Se você está colocando hobbies sem conexão com a vaga, informações pessoais desnecessárias ou afirmações genéricas ("gosto de trabalhar em equipe") nessa seção, elimine completamente. Um currículo menor e mais direto é sempre mais eficaz do que um currículo comprido e diluído.

O segundo sinal de alerta é redundância. Se você já listou idiomas em seção própria, voluntariado na seção de experiência e certificações em seção de formação, a seção de informações adicionais provavelmente está duplicando informação. Nesse caso, omita a seção e use o espaço para fortalecer o que já existe.

Exemplos reais de seção bem estruturada

Exemplo 1 — Profissional com 5 anos de experiência em finanças

Informações Adicionais

  • Membro do CRC-SP (Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo)
  • Voluntário no Projeto Bom Negócio Paraná (SEBRAE) — orientação financeira para MEIs, 2021–2023
  • CNH categoria B

Exemplo 2 — Analista de dados em transição de carreira

Informações Adicionais

  • Contribuidor ativo no Kaggle — top 15% em competições de machine learning (perfil: kaggle.com/[usuario])
  • Coautor de 3 artigos publicados no Medium sobre análise de dados com Python (180.000 visualizações acumuladas)
  • AWS Cloud Practitioner — em andamento, previsão abril/2026

Exemplo 3 — Profissional de RH com liderança em comunidade

Informações Adicionais

  • Mentora na comunidade RH para Todos — 12 mentorados em 2023, foco em transição para o mercado de gestão de pessoas
  • Palestrante no CONARH 2023 — tema: "People Analytics aplicado à retenção de talentos"
  • Membro do Conselho Deliberativo da ABRH-SP

Esses três exemplos têm algo em comum: cada item tem especificidade suficiente para gerar credibilidade, e cada um tem conexão direta com a trajetória profissional descrita no restante do currículo.

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Perguntas frequentes sobre informações adicionais no currículo

Posso colocar hobbies se eles forem incomuns ou interessantes?

Somente se houver conexão direta com a vaga. Um desenvolvedor que pratica xadrez competitivo pode mencionar o fato ao se candidatar a vagas que envolvem pensamento estratégico complexo. Um fotógrafo amador que aplica para uma vaga de UX designer tem um hobby relevante. No geral, se você precisar explicar por que o hobby é relevante, ele provavelmente não é relevante o suficiente para entrar no currículo.

Devo incluir cursos de extensão e cursos livres aqui ou na seção de formação?

Se os cursos são longos e de instituições reconhecidas (MBAs, especializações, pós-graduações), vão na seção de formação. Cursos livres, bootcamps e certificações de curto prazo pertencem a uma seção de certificações ou, na ausência dessa seção, em informações adicionais — nunca misturados com formação formal.

Tenho muita coisa para colocar aqui. Existe um limite de itens?

Não existe um número mágico, mas a regra prática é: se a seção está maior do que 5 ou 6 linhas, você provavelmente está incluindo itens de baixo valor. Priorize os mais recentes (últimos 5 anos) e os mais relevantes para o cargo. Feiras de ciências do ensino médio e prêmios escolares de 15 anos atrás podem ser eliminados com segurança.

Trabalho voluntário pode substituir experiência profissional formal para quem está começando?

Sim, em parte. Para candidatos sem histórico profissional, voluntariado bem descrito — com cargo, período, responsabilidades e resultados — conta como experiência real. O prepara.cv tem orientações específicas sobre como estruturar currículos de primeiro emprego e estágio, incluindo como apresentar voluntariado de forma que compete com experiência remunerada.

E se eu não tiver nada relevante para colocar nessa seção?

Omita a seção completamente. Um currículo sem a seção de informações adicionais é perfeitamente válido e profissional. Nunca inclua itens apenas para preencher espaço — o recrutador percebe.

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