Formação Acadêmica no Currículo: O Que Colocar e Como Organizar
A seção de formação acadêmica é tratada como uma burocracia por muitos candidatos — algo para preencher rapidamente antes de chegar nas experiências profissionais. Esse é um erro que custa caro. O ATS usa a formação acadêmica como um dos critérios de triagem mais objetivos: o sistema procura termos específicos como o nome do curso, o nível da formação e a instituição para verificar requisitos mínimos da vaga.
A maioria dos candidatos não sabe o que pertence a essa seção e o que deve ficar em outra parte do currículo. Resultado: formações relevantes ficam invisíveis, cursos que não agregam ocupam espaço valioso, e o formato incorreto impede o ATS de ler as informações corretamente.
Neste guia você vai aprender exatamente o que incluir na formação acadêmica, como formatar cada tipo de formação, onde posicionar essa seção no currículo, como lidar com situações especiais — curso incompleto, EAD, formação internacional — e como garantir que o ATS leia tudo corretamente.
Principais conclusões
- A formação acadêmica deve ter instituição, grau, nome do curso e período — nessa ordem e em texto puro.
- Profissionais experientes posicionam a formação após as experiências; recém-formados, antes.
- Curso incompleto deve ser declarado: omitir é falsidade ideológica; declarar corretamente não elimina.
- Cursos livres e certificações pertencem a uma seção própria, separada da formação formal.
- O ATS procura o nome do curso e o grau — use os termos completos, sem abreviações informais.
O que conta como formação acadêmica
A confusão mais comum é misturar formação acadêmica formal com cursos livres e certificações. Para o currículo, esses são conteúdos distintos que devem ficar em seções separadas.
Formação acadêmica inclui:
- Graduação: bacharelado, licenciatura e tecnólogo — concluídos ou em andamento
- Pós-graduação lato sensu: especialização e MBA
- Pós-graduação stricto sensu: mestrado e doutorado
- Ensino técnico: cursos técnicos de nível médio reconhecidos pelo MEC
- Ensino médio: relevante para candidatos sem ensino superior
Não pertencem à formação acadêmica — devem ir em "Certificações" ou "Cursos Complementares":
- Cursos livres (mesmo que de longa duração)
- Bootcamps
- Certificações profissionais (AWS, PMP, CPA, CFA, Google, etc.)
- Cursos online de plataformas como Coursera, Udemy, Alura, DIO
- Workshops e treinamentos corporativos
- Cursos de idiomas
Essa distinção importa porque o ATS e o recrutador têm expectativas diferentes para cada seção. Misturar os dois enfraquece a credibilidade da formação formal e dificulta a triagem automatizada.
Descubra o que falta no seu currículo
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Analisar meu CurrículoO formato correto da formação acadêmica
O formato padrão aceito pelo mercado brasileiro e reconhecido pelos principais ATS segue esta estrutura:
[Grau] em [Nome do Curso]
[Nome da Instituição] — [Cidade, Estado]
[Mês/Ano de início] – [Mês/Ano de conclusão] ou "Cursando" ou "Previsão: Mês/Ano"
Quando incluir o período de conclusão
Sempre inclua o período — tanto o início quanto o fim (ou a previsão). Omitir datas levanta suspeitas e deixa o recrutador sem informação objetiva. O ATS também usa as datas para calcular a cronologia da carreira.
Sobre incluir o CRA/IRA (coeficiente de rendimento)
No Brasil, incluir o CRA (Coeficiente de Rendimento Acadêmico) não é prática padrão, ao contrário dos Estados Unidos. Há duas exceções:
- Se você está candidatando para programas de trainee ou vagas para recém-formados e o CRA é alto (acima de 8,0 ou equivalente)
- Se a vaga solicita explicitamente essa informação
Fora dessas situações, omita o CRA. Nota média não é diferencial; nota muito abaixo da média é um risco.
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Analisar meu CurrículoOnde posicionar a formação acadêmica no currículo
A posição da seção depende do estágio de carreira do candidato.
Para profissionais com mais de 2 anos de experiência
A formação acadêmica vai após as experiências profissionais. O mercado de trabalho, nesse estágio, avalia principalmente o que você fez — não onde estudou. A ordem recomendada é:
- Dados de contato
- Perfil profissional
- Experiências profissionais
- Formação acadêmica
- Habilidades e competências
- Certificações e cursos complementares
- Idiomas
Para recém-formados, estagiários e estudantes
A formação acadêmica vai antes das experiências, pois é o principal ativo do candidato. A ordem recomendada é:
- Dados de contato
- Perfil profissional
- Formação acadêmica
- Experiências profissionais (estágios, trabalhos, empresa júnior, projetos acadêmicos)
- Habilidades e competências
- Certificações e cursos complementares
- Idiomas
Segundo o IBGE, a taxa de desemprego entre jovens de 18 a 24 anos é consistentemente superior à média nacional, o que torna a diferenciação pelo currículo ainda mais importante nessa faixa etária. Para recém-formados, a formação bem estruturada no topo do currículo funciona como o principal argumento de candidatura.
Para pós-graduados
Se você tem mestrado ou doutorado, liste as pós-graduações antes da graduação — o grau mais alto aparece primeiro. Para especializações e MBAs, use o mesmo critério: o mais recente e mais relevante para a vaga aparece primeiro.
Exemplos de formação acadêmica com formato correto
Exemplo 1: Graduação concluída
Bacharelado em Engenharia Mecânica
Universidade de São Paulo (USP) — São Paulo, SP
Fevereiro 2017 – Dezembro 2021
Exemplo 2: Graduação em andamento
Bacharelado em Ciência da Computação
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) — Rio de Janeiro, RJ
Março 2023 – Cursando (previsão: Dezembro 2026)
Exemplo 3: Tecnólogo concluído
Tecnólogo em Análise e Desenvolvimento de Sistemas
Fatec — Faculdade de Tecnologia de São Paulo — São Paulo, SP
Fevereiro 2019 – Dezembro 2021
Exemplo 4: MBA
MBA em Gestão de Negócios
Fundação Getulio Vargas (FGV) — São Paulo, SP
Março 2022 – Fevereiro 2024
Exemplo 5: Especialização (lato sensu)
Especialização em Marketing Digital e Analytics
ESPM — São Paulo, SP
Agosto 2020 – Julho 2021
Exemplo 6: Mestrado
Mestrado em Ciências Contábeis
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) — Porto Alegre, RS
Março 2020 – Março 2022
Dissertação: Impacto da adoção do IFRS 16 em empresas do setor de varejo brasileiro
Exemplo 7: Doutorado em andamento
Doutorado em Engenharia de Produção
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) — Campinas, SP
Março 2023 – Cursando (previsão: Março 2027)
Exemplo 8: Curso técnico
Técnico em Eletrotécnica
SENAI — Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial — Belo Horizonte, MG
Fevereiro 2016 – Dezembro 2017
Exemplo 9: Dupla graduação
Bacharelado em Relações Internacionais e Direito (dupla graduação)
Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) — São Paulo, SP
Fevereiro 2016 – Dezembro 2021
Exemplo 10: Formação internacional
Bachelor of Business Administration (BBA)
University of Groningen — Groningen, Países Baixos
Setembro 2018 – Junho 2022
Como lidar com curso incompleto
Omitir um curso superior incompleto não é uma opção segura. Verificações de antecedentes e cheques de referências educacionais podem revelar a inconsistência. Além disso, dependendo da área de atuação, omitir informações relevantes do currículo pode configurar falsidade ideológica em processos seletivos formais.
A forma correta de declarar um curso incompleto é transparente e direta:
Se o curso foi interrompido e você não pretende retomar
Bacharelado em Administração (não concluído — 6 semestres cursados)
Universidade Anhembi Morumbi — São Paulo, SP
Fevereiro 2015 – Dezembro 2017
Se o curso foi interrompido e você pretende retomar
Bacharelado em Psicologia (em pausa — 4 semestres concluídos)
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) — Rio de Janeiro, RJ
Março 2019 – Julho 2021
O que o recrutador pensa sobre cursos incompletos
A maioria dos recrutadores não elimina candidatos apenas por ter um curso incompleto, especialmente se a experiência profissional é sólida. O que eliminam é a falta de transparência. Um candidato que declara o curso incompleto com clareza demonstra honestidade — uma qualidade que conta positivamente no processo seletivo.
Se você interrompeu o curso por razões financeiras, de saúde ou para trabalhar, não há por que se desculpar. Informe o fato objetivamente e, se quiser, mencione brevemente na carta de apresentação ou na entrevista.
Formação EAD e online: como incluir sem constrangimento
Cursos EAD (ensino a distância) reconhecidos pelo MEC têm o mesmo valor legal que cursos presenciais e devem ser listados da mesma forma — sem necessidade de identificar a modalidade, a não ser que você queira fazer isso por transparência.
Bacharelado em Administração (EAD)
Universidade Estácio de Sá — modalidade a distância
Fevereiro 2020 – Dezembro 2023
Para cursos livres online (Coursera, Udemy, Alura, LinkedIn Learning, etc.), não os inclua na seção de formação acadêmica. Coloque-os em "Certificações e Cursos Complementares" com o nome da plataforma, o nome do curso e a carga horária ou data de conclusão.
Segundo dados do LinkedIn Talent Solutions, o interesse por profissionais com combinação de formação formal e certificações técnicas cresceu de forma consistente no mercado brasileiro. Isso significa que cursos online bem escolhidos complementam a formação formal — desde que estejam na seção correta.
Como o ATS lê a seção de formação acadêmica
O ATS processa a seção de formação acadêmica como texto puro. Ele busca correspondência entre os termos do currículo e os requisitos definidos pelo recrutador no sistema — normalmente o grau exigido ("bacharel", "tecnólogo", "pós-graduação") e, em alguns casos, o nome do curso ou área.
Para garantir que o ATS leia corretamente:
Use o título completo do grau. Não escreva "Adm" — escreva "Bacharelado em Administração". Não escreva "Eng. Elétrica" — escreva "Bacharelado em Engenharia Elétrica".
Evite tabelas e caixas de texto. Layouts com colunas duplas ou informações em tabelas podem confundir o parser do ATS, que tende a ler o documento linha por linha. Formação acadêmica em texto simples, hierarquizado com quebras de linha claras, é a opção mais segura.
Não use apenas siglas. "USP", "UFRJ", "UFMG" são amplamente conhecidas, mas o ATS pode não reconhecê-las. Escreva o nome completo seguido da sigla entre parênteses: "Universidade de São Paulo (USP)".
Inclua palavras-chave do campo. Se a vaga exige "formação em Tecnologia da Informação", e o seu curso se chama "Sistemas de Informação", inclua a sigla SI entre parênteses para facilitar a correspondência. Se a vaga fala em "formação em Ciências Econômicas" e o seu diploma diz "Economia", pode ser útil incluir o nome completo oficial.
Plataformas de recrutamento usadas no Brasil, como a Gupy, utilizam algoritmos de correspondência que avaliam a formação acadêmica entre os primeiros filtros aplicados na triagem automatizada. Garantir que a seção está formatada corretamente é uma etapa de otimização que não pode ser ignorada.
Casos especiais: Lattes, dupla formação, intercâmbio
Currículo Lattes
O Currículo Lattes (plataforma do CNPq) é um padrão para candidaturas acadêmicas, programas de pós-graduação e vagas de pesquisa. Se você está se candidatando a uma vaga no meio acadêmico ou em institutos de pesquisa, inclua o link do seu Lattes na seção de dados de contato ou no cabeçalho do currículo.
Para candidaturas no mercado privado, o Lattes não é necessário e raramente é solicitado. Não inclua o link a não ser que a vaga especifique.
Dupla graduação ou dupla titulação
Se você concluiu dois cursos de graduação, liste ambos em ordem de relevância para a vaga — não necessariamente em ordem cronológica.
Bacharelado em Ciências Econômicas
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — Belo Horizonte, MG
Março 2014 – Dezembro 2018
Bacharelado em Direito
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) — Belo Horizonte, MG
Março 2016 – Dezembro 2021
Intercâmbio acadêmico
Se você passou por um intercâmbio durante a graduação, inclua a informação como nota adicional na linha da formação principal:
Bacharelado em Administração
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — Florianópolis, SC
Março 2016 – Dezembro 2020
Intercâmbio acadêmico: Universidade de Lisboa — Portugal (2018)
Formação em andamento no exterior
Master of Science in Data Science
Columbia University — Nova York, EUA
Setembro 2024 – Cursando (previsão: Maio 2026)
Certificações e cursos complementares: a seção separada
Conforme mencionado, cursos livres, bootcamps e certificações técnicas pertencem a uma seção separada. O formato recomendado:
[Nome da Certificação ou Curso]
[Instituição ou Plataforma] — [Mês/Ano de conclusão]
[Carga horária] (opcional)
Exemplos:
AWS Certified Solutions Architect – Associate
Amazon Web Services (AWS) — Março 2024
Certificação PMP (Project Management Professional)
Project Management Institute (PMI) — Junho 2023
Python para Análise de Dados
Alura — Dezembro 2023 | 40 horas
Para candidatos com muitas certificações, selecione as mais relevantes para a vaga. Uma lista de 20 cursos online perde impacto — prefira cinco muito relevantes a vinte genéricos.
A função do prepara.cv inclui análise da seção de formação acadêmica para verificar se o formato está sendo lido corretamente pelo ATS e se as informações estão alinhadas com os requisitos da vaga — uma revisão que pode fazer diferença antes de enviar o currículo.
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Perguntas frequentes sobre formação acadêmica no currículo
Devo colocar o ensino médio no currículo se já tenho graduação?
Não é necessário. Quando você lista uma graduação, o ensino médio está implicitamente concluído. A exceção é quando a vaga exige "ensino médio completo" como requisito formal — nesse caso, inclua para garantir que o ATS marque o requisito como atendido.
Como listar um MBA: como pós-graduação ou separado?
O MBA é uma pós-graduação lato sensu e deve ser listado na seção de formação acadêmica com o grau explícito. Use "MBA em [área]" como título, seguido da instituição e período. Não é necessário criar uma subcategoria separada para o MBA — ele convive com especializações e mestrados na mesma seção.
Preciso incluir a cidade da instituição se ela é muito conhecida?
Sim. Mesmo para instituições como USP, UFRJ ou FGV, inclua a cidade. O ATS pode usar a localização para filtros geográficos, e o recrutador pode querer essa informação para fins de verificação. O formato correto é nome da instituição, seguido de cidade e estado.
O que fazer se minha formação é de um país diferente e o diploma não foi revalidado no Brasil?
Liste a formação normalmente, indicando o país da instituição. A revalidação é um processo burocrático que nem sempre é necessário para candidaturas no setor privado. Se a vaga exigir diploma reconhecido pelo MEC, a revalidação se torna relevante — nesse caso, mencione o status ("revalidação em andamento" ou "reconhecido pelo MEC") junto à entrada.
Cursos de idiomas entram na formação acadêmica?
Não. Cursos de idiomas — mesmo cursos formais em escolas como CCAA, Wizard, Yázigi, ou cursos universitários de extensão — pertencem à seção de idiomas ou cursos complementares, não à formação acadêmica. Na seção de idiomas, informe o idioma, o nível e, opcionalmente, a certificação (Cambridge, TOEFL, DELF, etc.).
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